"Violeta é o som pesado do rock e a leveza do vocal feminino, representando tanto uma cor forte quanto uma flor delicada" Paula Melf, vocalista da Violeta, conta ao MRC sobre a trajetória da banda
A banda Violeta é de Brasília, está na estrada desde 2005, e conta com Paula Melf liderando os vocais. Além dela, Marcelo Matias (Guitarra), Diego Silva (Guitarra), Léo Krieger (Baixo) e Fabio Krieger (Bateria) fazendo rock n'roll com letras cantadas em português. Na bagagem a banda carrega com competência um CD Demo gravado no final de 2006 com 4 faixas e participações em consagrados eventos, entre eles: FUMI (Festival Undergroud de Música Independente) em 2007, 3º lugar no festival Posto da Torre de Música realizado pela TV Brasília. O Mundo Rock de Calcinha bateu um papo com a Paula que diz considerar a cena underground brasiliense fraca e confessa que no próximo ano iniciarão a gravação do CD de estréia. Confira:
Mundo Rock de Calcinha - Sabemos que o grupo surgiu no ano de 2005. Como nasceu esse projeto? Conte-nos um pouco da história do grupo:
Paula - Quando o Marcelo Matias e o Rogério (Pil para os íntimos) me
fizeram a proposta. Anteriormente, eles já haviam tocado em outra
banda e desde então o sonho do rock permaneceu vivo neles. Outra
amiga, a MJay, era o toque feminino no baixo, mas pouco depois,
através de uma amiga em comum, conhecemos o Diego que se tornou o
baixista da banda. Em 2006 Saulo Ávila assume as baquetas, após a
saída de Pil, e nesse mesmo ano, gravamos 4 músicas DEMO no estúdio
Órbis, época em que Bruno Tartalho, vocalista da banda LESTO, assumia
o baixo; ainda integrando a banda quando participamos da seletiva do
Móveis convida Los Hermanos. Posteriormente Diego retorna à Violeta.
Em 2007 conquistamos o 3º lugar no Prêmio "Posto da Torre de Música"
(Festival com 153 bandas inscritas). Guilherme Guile (Guitarrista da
banda Káustica), participou da Violeta na fase deste festival, como
segundo guitarrista. Com a conquista deste prêmio, a banda ficou mais
conhecida, se apresentando em importantes espaços musicais da cidade.
E a cerca de 3 meses, Fábio Krieger é o mais novo baterista, dando a
batida perfeita nas músicas, após a saída do Saulo, que neste ano se
dedica a outros projetos.
Resumidamente, foi assim que aconteceu, desde quando o Matias deu vida
a esse projeto.
Mundo Rock de Calcinha - Anteriormente a esse trabalho, você já havia
participado de outros projetos, ou algum tipo de trabalho relacionado
a música?
Paula - Não. Eu era a única da banda que nunca tinha feito nada na
música (Tirando quando cantava no coral da igreja ou debaixo do
chuveiro). (Risos)
Mundo Rock de Calcinha - Não há como não comentar que você possuí um vocal marcante, que caracteriza as mensagens passadas em suas músicas. Antes da concretização da idéia nesse projeto, você já pensava em cantar? Caso não, como foi que descobriu ser possuidora desse dom?
Paula - Nossa, sabe quando alguém pergunta pra você "O que você quer
ser quando crescer?". Pois eu já tinha a resposta na ponta da língua e
berrava aos quatro ventos... CANTORA!! Só que eu mais falava do que
agia, pois era tímida que só vendo (...), a voz era fraca e as pernas
tremiam mais que vara verde. Eu realmente comecei a cantarolar quando
entrei na banda, e fui aprendendo e testando várias coisas, também por
causa do Matias, que me ensinou bastante sobre o que é o rock, já que
antes eu praticamente só ouvia MPB.
Mundo Rock de Calcinha - A Banda Elffus, que também possuí grande destaque na cena candanga, e já vem de longa data fazendo história entre o início
e meados dos anos 80, foi quem apadrinhou vocês. Como foi que surgiu a
amizade entre as duas bandas, até a chegada desse batismo?
Paula - Participamos juntos desse festival, onde a Banda Elffus foi
a grande vencedora. Criamos uma admiração muito grande pelo trabalho
deles, e sentimos uma ótima reciprocidade nisso.
Os consideramos padrinhos porque eles nos ajudaram bastante na
divulgação do nosso trabalho, e através dessa "Parceria", criou-se uma
grande amizade e respeito.
Sou fã, daquelas que vai aos shows e canta junto com o Alberto, chora
ao ouvir o solo do Chocola, e cai na gargalhada vendo o Fernando com
suas calças coladas e multicoloridas, e que não resiste em aplaudir de
pé o Alcimo após suas peripécias na batera.
Mundo Rock de Calcinha - Como é a rotina de ensaios e apresentações do grupo? Costumam ser frequentes?
Paula - Nós ensaiamos pelo menos uma vez por semana, e costumamos nos
encontrar fora do estúdio para produzirmos as músicas e colocarmos os
papos em dia. Devido ao fato do baterista Fábio estar na banda
recentemente, estamos mais em estúdio acertando as músicas, por este
fato, desde a entrada dele na Violeta, participamos de apenas um show,
a 9ª Faculta, em Taguatinga, no dia 14/06/08.
Mundo Rock de Calcinha - Chega a ser de grande surpresa, o espaço que o grupo vem conquistando por onde tem passado?
Paula - Pelo pouco tempo de banda e devido às mudanças de
integrantes, não chegamos a nos apresentar tanto. Sentir que mesmo
assim conseguimos agradar com nosso som, é realmente uma surpresa
muito agradável!
Mundo Rock de Calcinha - Essa pergunta é Clichê e já segue uma tradição: "Como surgiu o nome do grupo?" (Risos)
Paula - O Matias queria um nome que tivesse a ver com o som pesado
do rock e a leveza do vocal feminino. Violeta representa isso por ser
tanto uma cor forte quanto uma flor delicada.
Mundo Rock de Calcinha - Quais as influências do grupo, e de seus integrantes?
Elas chegam a refletir no estilo de som da banda ou a proposta se
difere a esse tipo de individualidade?
Paula - Todos têm influências bem fortes. Muito do que levo a
Violeta vem de letras poéticas de Chico Buarque e das interpretações
de Elis Regina. O Matias é o puro Rock n'Roll, de Bon Jovi e Peter
Frampton; o Diego é mais Hardcore e curte muito Bullet for my
Valentine, NX0; e o Fábio é mais pro metal e Hard Rock, como Pantera e
Mötley Crüe. Nessa salada, tomamos o cuidado de extrair o melhor desse tempero em nosso som.
Mundo Rock de Calcinha - Como você e, ou o grupo, veem o cenário underground brasiliense? Como o classificam?
Paula - Consideramos fraco. Brasília, que carrega o estereótipo de
"Capital do Rock", deveria investir mais nesse cenário, pois apesar de
sempre ter eventos e shows, sentimos que infelizmente não sai disso.
As bandas não têm tanta divulgação quanto deveriam ter, e muitos
grupos bons que investem bastante em seus sons, não se destacam por
isso.
Mundo Rock de Calcinha - Citando o cenário independente, como o grupo o
classifica? Na sua opinião, existe muita "panelinha", ou rola uma
certa união da cena em si?
Paula - Panelinha existe e é algo bem explícito neste meio, mas nem
sempre pode se colocar essa "panelinha" como algo negativo. Em muitos
casos, isso ajuda bastante as bandas, dando um suporte pra que elas se
segurem e se sustentem. O problema é que algumas panelas excluem
bandas de certos cenários, ficando estas sem muito apoio, o que vem a
ser tão importante para a divulgação de seus trabalhos.
Mundo Rock de Calcinha - Quais são os grandes obstáculos, ou as maiores
dificuldades que os grupos independentes enfrentam, até a conquista
de seu espaço, na opinião de vocês? E o que vocês gostariam de sugerir
para uma maior interação entre os grupos no geral?
Paula- A falta de investimento atrapalha muito e neste ponto as
"panelas" atrapalham. A maioria das bandas necessita sair da Capital
para conseguirem espaço, indo para São Paulo, por exemplo. Gostaríamos
que tivessem mais projetos musicais na cidade, e mais pessoas
interessadas em investir verdadeiramente no rock e assim certamente
muitas novas e boas bandas apareceriam.
Mundo Rock de Calcinha - Como é o processo de criação do grupo Violeta? As
músicas são todas escritas por você, ou há uma interação juntamente
com os outros integrantes?
Paula - Bem, depende de muitos fatores, mas a princípio o Matias e o
Diego costumam ficar por conta do instrumental, e eu apresento a
letra. A linha de vocal é colocada durante a produção da música, que é
levada ao estúdio semipronta, onde damos os últimos retoques,
acrescentando a bateria. Só que isso não é regra. Nem todas as letras
são minhas, muitas vezes dou palpites nos arranjos... Todos tem espaço
de criação.
Mundo Rock de Calcinha - Existem planos para a gravação de um novo disco, ou por enquanto a prioridade maior do Violeta é a divulgação da Demo?
Paula - Sim, os planos estão bem vivos. No início do próximo ano,
entraremos em estúdio novamente para a gravação de mais músicas.
Queremos mostrar mais o nosso trabalho, afinal temos 14 músicas
prontinhas para serem mostradas.
Mundo Rock de Calcinha - Quais são as propostas e objetivos do grupo atualmente?
Paula - Nossa proposta é conseguir o reconhecimento no espaço da
música, tão buscado pelas bandas independentes. Queremos viver disso,
transformando nosso trabalho em projeto profissional.
Mundo Rock de Calcinha - De todas as apresentações que foram feitas até o
momento, existe aquela que tenha sido a mais marcante, ou tenha sido a
mais divertida?
Paula - Fizemos dois shows no Teatro da Praça, em Taguatinga/DF, pelo
Clube do Rock, e as duas apresentações foram muito boas! O teatro
lotou quando subimos ao palco; e todos cantavam, batiam cabeça,
dançavam... Foi bastante divertido, pois muitos que estavam lá nunca
tinham ouvido falar da banda, mas adoraram.
Mundo Rock de Calcinha - Teria alguma situação engraçada que o grupo já tenha passado, seja no ao vivo, ou no backstage?
Paula - Com certeza! Foi na primeira passagem de som no festival
Posto da Torre. Estávamos tocando Ave de Aço, e na empolgação o Diego
deu um salto e caiu em cima do cabo do baixo, levando um tombo
daqueles! Aí não sabíamos se continuávamos a tocar, se acudíamos o
Diego ou se caíamos na gargalhada. E ele no chão, meio desorientado e
dizendo "Continua galera, continua!". E a gente continuou! Quando a
música acabou nós o levantamos e o comentário do Matias foi o melhor:
"Ainda bem que você não se machucou, porque achar outro baixista uma
hora dessas ia ser complicado!" (Risos) O mais engraçado foi ouvir a
galera do auditório cantando pro Diego depois: "Cuidado, meu bem…"
(Refrão da Ave de Aço)
Mundo Rock de Calcinha - Como você descreve a emoção de quase ter conquistado o prêmio "Posto da Torre de Música", ocorrido em meados de 2007?
Paula - Foi muito bom! Realmente foi emocionante para nós a
participação neste festival. Foi o nosso primeiro grande passo, que
abriu portas e nos fez acreditar e lutar ainda mais pelo nosso sonho.
Lembro com muito carinho dessa fase, e com muita saudade também...
Queríamos tanto os R$7000,00! (Risos)
Mundo Rock de Calcinha - O que você acha de propostas, de sites culturais como o do "Rota66DF" e "Mundo Rock de Calcinha", que procuram cada vez mais divulgar trabalhos independentes e undergrounds em geral? Acredita que esse tipo de meio de comunicação é abrangente e pode complementar na divulgação dos grupos, ou acha que é algo "um pouco mais limitado", direcionado a um público mais específico, levando em consideração que nem todos, ainda estão plugados na Web hoje em dia?
Paula - Eu acho o máximo! Consideramos um meio de comunicação
bastante abrangente, porque facilita o acesso pra quem curte e pra
quem quer conhecer, e é difícil hoje em dia alguém que não procura o
que quer em sites. Muitas bandas de hoje só conseguiram sucesso após
mostrarem seus trabalhos na internet. O espaço que vocês
disponibilizam é primordial para gente, abre portas e nos ajuda muito
na nossa divulgação.
Mundo Rock de Calcinha - Obrigado pela entrevista e sucesso pra vocês?
Paula - Agradecemos muito por este espaço, o apoio de vocês é
bastante importante para nós. Agradecemos também aos internautas, as
bandas amigas, aos amigos sempre presentes e a todos que contribuem
com o movimento independente da cidade. E convido a quem quiser
conhecer mais sobre a Banda Violeta, pode acessar os sites:
http://www.purevolume.com/violeta
http://www.fotolog.com/bandavioleta
http://www.myspace.com/bandavioleta
Agradecemos novamente e, como sempre, Beijocas 'avioletadas'.
Entrevista concedida à Li Lohan (parceria www.rota66df.com)
foto: Divulgação
(16/07/2009)
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