
" Se eu pudesse definir o meu estilo na música, acho que seria uma mistura de Dolores O'ridan e Lauryn Hill" [Mirla Salem]
Gisele Santos
Batemos um papo mega interessante e divertido com a "bruxinha" Mirla Salem, vocalista da Vulca (www.vulca.com.br), banda de Rio Claro/SP que acaba de lançar o remake do CD de estréia "Minha Vitrola" e conquistou contrato com uma gravadora. Bruxinha? Sim! Ela já foi batizada no Wicca, tem um lado todo místico, até ligada em mapa astral. É pagã assumida e esclarece o que é tudo isso pra espantar os preconceitos de vez, além de contar sobre sua homenagem a Deusa do Amor em suas músicas, seu lado MPB e ROCK. E também RAP! Pois é, ela já fez parte até de um grupo de rap. Ah! E Mirla adianta pra gente - em primeira mão - que o novo CD da Vulca já está pré-produzido e será muito mais rock do que o primeiro. Puxa uma cadeira, senta confortavelmente, coloca os pés pra cima, chama a mãe ou a vó pra pedir um suco ou uma breja, pois vale a pena conferir a entrevista do começo ao fim!
Mundo Rock de Calcinha: Vulca quer dizer "abrigo do sol" ou mesmo o feminino de Vulcão. Por que escolheram esse nome para batizar a banda?
Mirla Salem: A banda já teve outros nomes, mas nenhum nunca casou tanto com a energia que a banda transmite. Quando o Mauro sugeriu Vulca, em meados de 2005, a intenção dele era transferir a energia do vulcão na sonoridade da banda. Ele quis fazer uma analogia às letras que escrevo - que ele costuma dizer que são lavas em forma de palavras. A intenção do Vulca como banda é promover mudança através das músicas, mais ou menos assim, já que o Vulcão é uma ameaça a tranquilidade de uma cidade, Vulca seria uma ameaça positiva a algo que está estagnado há muito tempo.
Mundo Rock de Calcinha: As mudanças na formação da banda prejudicaram?
Mirla Salem: Não. Muito pelo contrário, as mudanças na formação da banda só acrescentaram ainda mais ao trabalho. É claro que sempre rola um desgaste até que tudo volte nos eixos novamente. Eu e o Mauro costumamos dizer que o Vulca passou por três períodos desde sua primeira formação, em 2003 a imatura, de 2005 a 2006 a alternativa, e de 2007 a 2008 a formação ideal, falo isso porque houve uma sintonia musical entre os atuais membros da banda, não que os outros não fossem talentosos, isso fez com que os resultados ficassem satisfatórios pra todos, o legal é a gana que cada um tem de melhorar e se aprimorar sempre.
Mundo Rock de Calcinha: E os novos integrantes, influenciaram na musicalidade?
Mirla Salem: O Ruy, um dos nossos atuais guitarristas, foi um dos responsáveis pela cara nova da banda, pois já estávamos querendo mudar um pouco nosso som e ele trouxe esta transformação. Ele é extraordinário, eu chego no ensaio, conto a história da música, o porquê de eu ter escrito e ele simplesmente transfere isso pras cordas. De brinde (risos) ele ainda trouxe pra gente dois músicos sensacionais com os quais ele já teve alguns projetos paralelos, um deles é o Ricardo Santos - vulgo Magrello - nosso atual baixista, o outro é o Andrezinho que assumiu a segunda guitarra. Posso dizer que o time do Vulca está completo, criatividade de sobra nas cordas somada ao talento do Mauro e a minha paixão incontrolável por fazer música... Esta é a fórmula vulcânica.
Mundo Rock de Calcinha: Vocês dizem se o CD de estréia não se chamasse "Minha Vitrola", poderia se chamar "Minha história". Por quê?
Mirola Salem: Dizemos isso por que a maioria das músicas que escrevi para o álbum Minha Vitrola foram feitas em cima de fatos que eu vivi diretamente, elas são muito próximas à realidade de todos, e acabamos vivendo as músicas tão intensamente que não é difícil a gente utilizar fraseados da música em nosso convívio diário, algo do tipo "O que você precisa pra tomar um pouco de atitude" (Trecho de minha vitrola), "Todos pés no chão mais de olho no futuro" (Trecho de Jóias e diamantes). Tudo que está nas músicas encontra-se muito inserido no nosso cotidiano, e os fãs se identificam bastante com esta realidade.
Mundo Rock de Calcinha: No release da banda tem um trecho que diz "Considerado um hino feminista, Minha Vitrola foi composta sem muitas pretensões há sete anos atrás, pela vocalista Mirla Salem, que não imaginava o impacto que este refrão causaria anos depois". Qual a reação dos meninos ao perceberem esse refrão feminista: "Sete e sete são quatorze com mais sete vinte um. Tenho muitos namorados e não vou deixar nenhum. Sete e sete são quatorze com mais sete vinte um me estabeleço no que eu faço não vou a lugar algum".
Mirla Salem: Eles sabem os motivos que me levaram a escrever, faço questão de contar as histórias das músicas pra eles entenderem, e valorizamos muito o porquê das coisas na banda, nada é por acaso assim como um Ré menor em uma música triste não é por acaso, as palavras também não... Eu nunca vou escrever por escrever, não curto colocar coisas nas músicas só porque vão soar bonitinhas ou engraçadas.
O mais louco, é que quando escrevi a intenção não era bem fazer um hino feminista, mas o lance de "Minha Vitrola" é muito "Eu", do tipo, começo contando uma história quando canto "Pensam que não sou capaz", isso nada mais é do um retrato da minha adolescência onde eu dizia pra pessoas "eu quero ser cantora", e os outros diziam "nossa imagina! É muito difícil e você não vai conseguir". Como me senti muitas vezes desafiada, acabei tendo esta necessidade de por pra fora, e o refrão de Vitrola, é bem assim, "faço o que quero da minha vida, ninguém tem nada a ver com isso" em outras palavras, tenho muitos namorados e daí!? Assim como tenho muitos sonhos, muitos planos, muita vontade de viver e chegar mais longe, e não vou desistir por nada e por ninguém.
Mundo Rock de Calcinha: O que aconteceu pra você criar um refrão, digamos, tão revoltada contra namorados? (risos)
Mirla Salem: Como eu disse não era este meu interesse, eu entendo que até soa "nossa, como eu sou promiscua!" (risos), não que eu tenha preconceitos, cada um faz o que quer da vida, como eu costumo dizer a vida é uma só aproveite! (risos) Mas, neste caso uma coisa puxou várias coisas, uma delas é o fato de usar uma cantiga de criança, e modificar apenas o final, foi uma maneira de explorar o refrão de forma que passasse a idéia de que eu não era uma jovem inconsequente e cheia de sonhos impossíveis, eu sabia o que eu queria desde o principio.
Mundo Rock de Calcinha: Mirla, você começou no mundo da música muito jovem. Foi influenciada por alguém da família?
Mirla Salem: Eu acho que nasci com o gene pra música, minha mãe quando jovem tinha uma vontade imensa de ser cantora, se apresentou em alguns palcos na época em que morou em Brasília, mas infelizmente ela não conseguiu ir pra frente com este sonho, logo ela se viu tendo que trabalhar pra sustentar a casa, cuidar dos filhos... Como ela viu que eu herdei este dom pra música, principalmente pra compor, ela se realizou junto comigo, às vezes pego o violão no quarto, ela ouve e vem logo cantar comigo, sabe de cor as músicas, e tira do baú umas que eu fiz há muito tempo e nem mesmo eu lembro direito (risos). Quando eu estou nos palcos, ela quase sempre está lá embaixo vendo, e parece uma criança pulando e dançando, eu sempre me emociono com isso.
Mundo Rock de Calcinha: Você já havia feito um CD no estilo MPB. Como é pra você conciliar o rock e MPB, e qual deles você mais curte?
Mirla Salem: Uma vez a FernandaTakai me disse, "Mirla eu sou o lado mais calmo do Patu Fu", eu posso dizer que eu também me sinto assim, eu sou o lado zen do Vulca, não que eu não fique "encapetada" no palco (risos) mesmo porque é lá que costumo dizer desce um "entidade" chamada Salem (risos), mas extra palco eu sou muito calma. Entre fazer uma canção calma e fazer uma canção pesada, prefiro a calma, e também não tenho uma voz com muito 'punch' pra ficar gritando. O lance comigo é mais fechar o olho, sentir e me deixar levar. Quando eu era criança ouvia muito Gun n' Roses por tabela, isso porque meu irmão era fissurado neles, tinha muitos vinis e pôsteres, passei a gostar também, o detalhe curioso é que o Rock entrou de vez na minha veia quando o Vulca entrou na minha vida, daí eu mergulhei de cabeça, não teve como não me envolver, a energia e rebeldia que ele representa, me atraíram bastante. Gosto até o hoje de MPB. Pego meu violão, toco pra mim, minhas músicas calminhas, muita gente curte e vive pedindo pra eu gravar, mas é só um hobby, porque eu já vendi minha "alma" pro rock faz tempo. (risos).
Mundo Rock de Calcinha: A música "Minha Vitrola" é antiguinha, tanto que tocava direto em antigos programas de rádio que eu apresentava. A banda lançou o CD em 2006, mas conta como foi reformular tudo em 2008 contratados pela JT Records?
Mirla Salem: Como eu disse a pouco, "Minha Vitrola" de 2006 foi gravada na "era" mais alternativa da banda, e a formação não perdurou muito tempo depois, quando o Ruy entrou, ele jogou limpo com a gente, disse "Galera eu não tenho como tirar as músicas igual, é outra pegada, vocês sairão prejudicados". Daí eu e o Maurinho dissemos a ele que tinha permissão para recriar os arranjos, foi aí que tudo mudou de vez. Refizemos todas as músicas do CD independente, inclusive mudando linha de voz. Quando a JT convidou a gente pra gravar estávamos com a pré-gravação do disco pronta, um trabalho bem mais sólido, foi aí que ele sugeriu que regravássemos. Gravamos no estúdio da gravadora mesmo no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Saímos de lá satisfeitos com o remake de "Minha Vitrola", pois ele não deixou a desejar pra nenhuma grande banda de nome nacional, principalmente em matéria de qualidade de gravação.
Mundo Rock de Calcinha: Você é a principal compositora da banda. Conta quais foram as inspirações para as canções "Rota do Amor", "Afrodite" e "Minha Vitrola":
Mirla Salem: Amo demais escrever músicas, poemas e coisas do gênero. Quando eu escrevo sinto que passo a existir realmente. No caso de "Rota" é uma história bem triste, fiz pra um amigo que morreu, ela parece uma música romântica, mas o lance que eu quis retratar nela foi a dor dos pais em relação a perca do filho. A primeira versão de "Rota", gravei no meu CD solo independente, chamado "Projeto M.Caffe's". Naquela época o arranjo era bem triste, quando ela foi incluída no repertório da banda se tornou alegre e optei por deixá-la assim, a família dele gostou bastante da versão.
A música "Afrodite" é um xodó meu (risos), é a música que eu mais me identifico. É uma daquelas que eu fecho os olhos e deixo fluir. Eu tenho uma admiração especial pela Deusa do Amor, certo dia fiz uma promessa que criaria uma música em homenagem a ela em todos os CD's do Vulca, e pretendo cumprir. É uma história que vai ter sempre sequência, a primeira delas é a "Primeira Manifestação de Afrodite" que está no CD "Minha Vitrola", a segunda será "Afrodite contra o amor", que entrará no segundo CD, ao qual o nome ainda é segredo.
"Minha Vitrola" é uma história longa (risos), mas pra resumir eu assistia a um programa na TV da Monica Buonfiglio, e ela ensinava um tipo de simpatia ou relaxamento, não lembro bem... Ela pediu pra gente parar e refletir sobre três coisas que a gente queria muito ter na vida, mas o fato é que você entrava num estado meio zen, eu nem tinha notado o que eu tinha escrito, quando olhei no papel eu vi, lá estavam: "Quero ser feliz, quero realizar meus sonhos, quero ter uma vitrola...". Naquela época eu estava de saco cheio de fazer músicas para os "outros", eu me apaixonava e escrevia (risos), via algo e escrevia daí eu pensei, "taí! vou fazer uma música pra mim". E nesta música eu contei tudo que estava acontecendo comigo naquele momento, o fato de ser desafiada, enfim toda a peculiaridade que tem na letra, por isso "Minha Vitrola" virou uma analogia de "Minha História".
Mundo Rock de Calcinha: Quais são suas influências musicais, principalmente referências femininas?
Mirla Salem: Ouço diversas coisas, mas confesso que sou fiel às bandas que curto, é bem assim, se eu me identifico, eu fico. Desde adolescente sempre ouvi muita música, participei de grupos teen só de garotas até grupos de rap no colégio, sempre fui muito contestadora, e todas estas experiências me foram muito válidas, fortaleceu a minha atitude e raciocínio rápido pra compor. Sou uma pessoa que se emociona ao ouvir Lauryn Hill, Aretha Franklin, as acho mais do que cantoras! Vejo nelas grandes batalhadoras. Daí tem também dezenas de referências femininas que eu posso citar, mas vou deixar as principais aqui, Fiona Apple, Norah Jones, Joss Stone. Entre os meus CD's preferidos estão Sixpence None the Richer, Cranberries, Garbage, The Pretenders, Sheryl Crow. Se eu pudesse definir o meu estilo na música, acho que eu seria uma mistura de Dolores O'ridan e Lauryn Hill (risos). Atualmente, estou fazendo um resgate de bandas nacionais da década de 1980. O Mauro me ajuda muito nisso, referências que eu não me importava em buscar há alguns anos, isso me deu uma base extraordinária e vejo tudo com outros olhos, me faz desejar que aquela boa fase do Rock retorne logo, dá vontade de realmente fazer um som cada vez melhor pra também fazer diferença com aquela galera fez.
Mundo Rock de Calcinha: Se você pudesse dividir o palco, pelo menos cinco minutos, com qual artista seria?
Mirla Salem: Olha, falando em valorização do Rock Nacional, e também de alguém que admiro e acho que faz um trabalho bem legal e representa bem este espírito rock, com a Pitty, seria uma experiência pra mim bacana de acontecer.
Mundo Rock de Calcinha: Como é aturar 'TPM' masculina, sendo a única mulher da banda (Risos)?
Mirla Salem: Jogo de cintura (risos) sempre! Eles têm dias e dias, mas como a gente convive há algum tempo percebo logo quando o mar não está pra peixe, e já começo a contornar a 'TPM' deles. Mas assim, eu sou muito "de boa", quase não temos atritos, eu cuido de bastante coisa da banda que eles não têm muita paciência, mas faço porque gosto mesmo. Sou mais maleável. Não pensem que estou apedrejando eles em praça pública (risos), eles são muitos bonzinhos e muito engraçados também, isso deixa o clima sempre leve.
Mundo Rock de Calcinha: A primeira experiência em vídeo da banda Vulca teve a direção de Marluco Izidoro (Shamaan, Urban Totem, entre outros). Como foi trabalhar com ele? Gostaram do resultado final?
Mirla Salem: O Marluco fez um trabalho ímpar. A forma como ele resolveu explorar o vídeo foi bem legal. Ele disse a todos "se comportem como se estivessem em um palco, em nenhum momento olhem pras câmeras, esqueçam que elas estão ali". Isso deixou a gente bem à vontade e criou um clima de Vulca no palco realmente, não foi um clipe editado pra ficar bonito e sim pra ficar próximo da realidade. Gravamos em um estúdio por oito horas, e em nenhum momento foi desgastante, a equipe de produção era muito boa. O fato de ele ter feito um bom trabalho facilitou a entrada do clipe na programação da MTV, e esta foi uma das maiores vitórias que o Vulca já viveu nestes quase seis anos de formação.
Mundo Rock de Calcinha: Vocês tocaram na quarta edição do Festival Rock Feminino e repetiram a dose nesse ano, já na sétima edição. Como você avalia Vulca no palco anos atrás e hoje em dia, participando de importante festival que divulga o rock feminino, sendo representante da cidade onde o evento acontece?
Mirla Salem: Pra gente é sempre um honra tocar neste Festival, a janela que ele oferece pra divulgação do trabalho é algo indescritível. Realmente vale muito à pena participar. A Vivian Guilherme, idealizadora do Festival Rock Feminino, a cada ano que passa surpreende mais em matéria de organização e estrutura. Quando tocamos pela primeira vez, a banda estava na "era" alternativa (risos), e pra nós foi um divisor de águas, muitos fãs acompanham a banda desde nossa primeira aparição lá. A oportunidade de nos apresentar este ano no evento, já como banda consolidada, em um momento onde tudo anda bem, CD novo, clipe na MTV, cada vez mais visibilidade a nível nacional, é como se coroássemos esta boa fase. Eu e o Mauro nascemos em Rio Claro/SP, consequentemente o Vulca também, é uma honra tocar no Festival, pra nós sempre é bom representar a cidade com o que mais amamos fazer, música.
Mundo Rock de Calcinha: Você acha que é mais difícil conseguir um lugar ao sol sendo banda do interior?
Mirla Salem: Antes eu achava, mas hoje em dia vejo que isso é ilusão mesmo. O segredo pra conseguir um lugar ao sol é trabalho. Se o teu trabalho for bom e você tiver vontade pra correr atrás, divulgar e se aperfeiçoar cada vez mais, não deixando teu sonho de lado, já é meio caminho andado. O que pra mim fecha este ciclo é sorte, e esta sorte pode vir você estando a qualquer hora e em qualquer lugar. Me disseram uma frase que sempre levo comigo: "Tudo tem seu tempo e seu lugar no espaço". É só não desistir, e quando a hora chegar é claro saber aproveitar bem e não deixar a chance escapar.
Mundo Rock de Calcinha: Como o CD de vocês foi reformulado, conta pra gente se já possuem músicas novas e previsão de lançar novo álbum:
Mirla Salem: Sim! "A Vitrola é só o começo" (risos). Tem muita coisa boa vindo aí, o nosso segundo CD está praticamente pré-produzido, e ele vai ser muito mais rock, um trabalho que promete mesmo, temos grandes expectativas com relação a ele. Uma delas é nos firmar de vez no cenário nacional e sair deste estigma de banda de um CD só. Porém, no momento o Vulca está independente, recebemos algumas propostas de gravadoras, mas estamos decidindo no momento se permanecemos ou não independentes.
Mundo Rock de Calcinha: Vocês já vivem só trabalhando com música ou ainda precisam trabalhar paralelamente em outras profissões para sobreviver?
Mirla Salem: No meu caso, dedico quase 100% do meu dia ao Vulca, como eu sou formada em publicidade aplico muitas coisas na divulgação da banda ou pego alguns trabalhos paralelos na área. O Mauro também é publicitário, além de baterista ele é um artista gráfico de mão cheia. O Andrezinho também está cursando - por incrível que pareça - Publicidade, além de se dedicar à banda. Já o Ruy e o Magrello ainda possuem empregos paralelos, por questões pessoais.
Mundo Rock de Calcinha: Li no seu perfil do Orkut, a seguinte frase: "SIM, eu sou pagã. Não curto religiões castradoras, e também não tenho talento pra ser ovelha!". Como surgiu seu interesse pelo paganismo? E fala também sobre seu livro "Devaneios de Bruxa", inclusive tem um blog :
Mirla Salem: Muita gente vive me perguntando coisas deste tipo, se eu sou ou não pagã, por isso eu deixo bem claro. Infelizmente tem gente que ainda acha que ser pagã é coisa do mal, mas não tem nada a ver. Ser pagã tem um significado mais profundo é algo como ser da terra. Não quero chocar ninguém com a minha escolha religiosa e nem influenciar também, acho que todos têm direito de ser e acreditarem no que quiserem, só não gosto quando as pessoas ficam tentando doutrinar na marra ou julgando seu caráter pela sua religião. Eu tenho opiniões bem sólidas sobre minhas crenças. Pra mim amor não é pecado, ser feliz não é pecado, errar e acertar faz parte, e por aí vai...
Eu sempre tive este lado místico, gosto de jogar cartas, fazer mapa astral, ver horóscopo, colecionar bruxinhas, pedras e cristais, etc... Mas foi com uns 17 anos que comecei a buscar mais informações, minha visão do mundo é muito mágica, acho fascinante a idéia da existência de fadas, gnomos, salamandras. Pra mim o mundo tem muito mais alma, é algo que não dá pra explicar.
Quando eu comecei a escrever meus devaneios em 2006, pensei em publicar um livro, pensei em ter um lugar onde eu sentasse no final do dia e misturasse em uma coisa só tudo que eu senti, ouvi, vivenciei, e isto deu muito certo, porque o processo todo é mágico. Eu sento, pego uma música pra ouvir, relaxo e escrevo, mas eu não censuro nada, quando eu leio o que escrevi muita coisa à primeira vista soa sem sentido, no outro dia eu acordo e leio novamente e eu penso sobre tudo, e vejo como os textos são uma autobiografia disfarçada, as pessoas lêem e não entendem, ou melhor, aplicam tudo a vida delas, é algo tão maluco que, por exemplo, quando escrevo "rosas" estou me referindo a alguém, "lírios" a outra pessoa, e no final das contas as pessoas acham que sou fissurada por flores e plantas (risos) não que eu não seja, é uma forma de fazer magia sem ninguém perceber nada. Ainda tenho planos futuros de publicar os meus devaneios, quem sabe em 2010!
Mundo Rock de Calcinha: O nome Mirla Salem é batismo Wicca?
Mirla Salem: (Risos) Não... Mirla Salem é artístico, adotei há cinco anos, mas Salem é pela minha ligação mesmo com este meu lado místico, muitos me chamavam assim antes, como um apelido e acabei adotando, aí casou o fato de ter uma numerologia bacana e ficou. Eu já fui "batizada" no Wicca, mas me afastei faz algum tempo, ainda sigo muitas coisas, ciclos lunares, por exemplo. Porém procuro ler sobre outras coisas também.
Mundo Rock de Calcinha: No logotipo do blog "Devaneios de Bruxa" tem a frase "eu não creio em bruxas, mas que elas existem existem". Você se considera uma delas? Por que?
Mirla Salem: Claro! Pra mim, toda mulher é bruxa! Nós fazemos coisas mágicas o tempo todo, e muitas mulheres não se dão conta, digo isso desde as coisas mais lindas como a capacidade de poder gerar outra vida dentro da gente, às coisas mais simples como uma intuição sobre algo ou alguém. São coisas da nossa natureza, os ciclos de fertilidade, menstruação, etc...
Mundo Rock de Calcinha: Adorei falar com você! Muito obrigada pela entrevista, boa sorte nessa batalha musical. O espaço é aberto para considerações finais e recado aos leitores do Mundo Rock de Calcinha:
Mirla Salem: Queria agradecer o espaço do site, e o convite de desvendar estas curiosidades aqui sobre o Vulca e sobre mim, queria parabenizá-la pelo trabalho maravilhoso que vocês fazem fortalecendo a cena do rock nacional e principalmente valorizando a mulher, acho uma iniciativa realmente fora do sério. Gostaria de mandar um beijo especial pra todos os fãs do Vulca espalhados pelo Brasil a fora. E, galera, guardem esta frase com vocês: "A Vitrola é só o começo!" .... Ainda vamos aprontar muito mesmo (risos). Até a próxima!!
A banda é:
Mirla Salem - Vocal
Mauro Morandin - Batera
Ruy Branco - Guitarra
André Ferreira - Guitarra
Ricardo Santos - Baixo
Acesse: www.vulca.com.br
Entrevista concedida à: Gisele Santos
Fotos: divulgação
31/03/2009
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